Eu aconteci
- Analu Cestito

- 24 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Hoje, peguei-me querendo fugir de mim mesma. Como se isso fosse possível, rs. Sabe aquela sensação de evitar os próprios pensamentos? Pois é! Para isso, quis evitar o lugar em que eu mais me sinto bem – o meu apartamento.
Amo o meu cantinho de apenas 44m². Amo o silêncio que ele transmite em meio a uma semana caótica. Amo poder dançar entre a sala e a cozinha ao som de alguma MPB. Amo poder desfrutar da companhia de uma taça de vinho em uma noite qualquer. Amo, inclusive, o home office que faço com tranquilidade nele.
Sempre amei minha própria companhia. Mas hoje não. Hoje, quis fugir desse mundo que, talvez, tenha sido criado pelo meu próprio inconsciente para não enfrentar a dura realidade.
– Mas o que aconteceu? Pergunta o leitor confuso com a situação.
Ontem, eu “aconteci”. Depois de algumas semanas remoendo a egressão alheia, coloquei em palavras – ou tentei colocar – tudo o que tinha decorrido nos últimos meses. Que caos! Eu não conseguia proferir as palavras em uma linha de raciocínio. Frases saltavam da minha boca atropelando cada pensamento. Era como se aquilo estivesse preso dentro de mim esperando apenas o momento de sair – e quando finalmente se libertou, a realidade de aceitar o fim de cada coisa veio à tona.
Almocei fora, passei a tarde toda com uma amiga, fui à academia no começo da noite e, quando finalmente voltei, ocupei-me com afazeres domésticos. É que o momento em que eu colocar a minha cabeça no travesseiro, o momento em que a ficha realmente cair, eu sei que vai doer. Estava evitando esse momento o dia todo.
E doeu.






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